terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Diálogos: A Importância da Ciência


Início da tarde, com uma senha de atendimento na mão e espero minha vez em um banco qualquer. Tenho mais um projeto de pesquisa financiado para compra de equipamentos para a universidade que trabalho. Essa é minha função, o que devo fazer obrigatoriamente. O financiamento vem através de contas especiais, chamadas de “Tipo B”. Essas contas não podem ter movimento bancário além da emissão de cheques. Por isso, não possuo cartão, não posso consultar saldo no caixa eletrônico e todas as prestações de contas me levam à fila do banco. Você já precisou resolver problemas com cheques? Abertura, ou fechamento de contas? Perda, ou qualquer outro problema com seu cartão? É nesta fila que nos encontramos. No meu caso, só quero um extrato, algo hoje obtido facilmente em contas comuns. Como não é possível fazer isso de forma simples, eu trago sempre um livro comigo para ler na fila, sei que passarei a tarde inteira por lá. A fila é enorme!

“PIM BOM” é o som que chama no painel para o próximo número. Consigo uma cadeira e começo a ler.

“PIM BOM” novamente, levanta alguém do meu lado, outro senta.

Sem esperar alguém fala comigo:

– Qual o seu número?

Respondo: - Hã?!

– Qual o número de sua senha?

– Ah! O meu é 614!

– Eu sou o último então, o meu é 634!

A minha resposta é quase uma expiração: - Putz!

– Meu nome é Manoel! – Diz para mim estendendo a mão.

– O meu é Waltécio! – Aperto a mão dele em cumprimento amistoso.

Manoel – Walter?!

Eu – Não, W A L T É C I O!!! Meu pai queria um nome diferente para mim e conseguiu! [rsrsrs]!!! Sei que Walter é muito mais popular e nem se preocupe, estou habituado a ser confundido assim, ou com a inclusão do “r” no meu nome.

Manoel – [rsrsrsrs]!!!

Soa o painel – “PIM BOM” – e aparece o número 911.

Manoel – O que é aquilo? Fomos passados para trás?

Eu – Não! É a forma deles representarem clientes especiais. Idosos, gestantes e deficientes possuem prioridade. Eles estão corretos, só que deveriam ser mais rápidos com eles e conosco. Se levarei uma tarde inteira aqui, algumas dessas pessoas especiais podem esperar quase o mesmo tempo que nós.

Manoel – Compreendo! É culpa dos políticos corruptos que roubam nosso dinheiro.

Eu – Parte também é nossa culpa e, claro, da nossa história.

Manoel – Nossa história? Eu e minha família não fizemos nada, trabalhamos o dia todo e eu hoje tive que faltar o serviço para abrir minha primeira poupança. Se Deus quiser!

Eu – Desculpa, eu não quis dizer apenas nós, eu, você e nossas famílias. É algo coletivo, de todos, a história de todos, a história dessa cidade, do Brasil. Os eventos no tempo que levaram nós dois estarmos aqui nessa fila enorme. Assim como as pessoas, agora sim, como eu e você que, por mais absurdo que pareça, mesmo não gostando, deixamos as coisas seguirem assim. Temos nossa culpa, de um jeito ou de outro, somos responsáveis pelo nosso destino.

Manoel – Fazer o quê, né? Preciso dessa poupança, é uma conquista para minha família, graças a Deus.

Eu – Bem, concordo com você no esforço pessoal e de sua família, só não credito isso a uma força mágica fora deste mundo.

Manoel – Vixe! E você não acredita em Deus, é?

Eu – Deixa isso pra lá! É uma discussão longa, mesmo que eu ache simples, mas eu não costumo conversar sobre isso, principalmente em filas de banco, ok?!

Manoel – Qual a sua profissão?

Eu – Sou professor!

Manoel – De qual colégio?

Eu – Gosto quando me fazem essa segunda pergunta! Sou professor de universidade, mas minha profissão é reconhecidamente pelo meu povo como estando ao lado deles principalmente no ensino fundamental e médio. Olha Manoel, tem companheiro meu na universidade que antes mesmo de você perguntar diria assim: “sou doutor e trabalho na universidade”.

Manoel – [rsrsrsrs]!!! Verdade!!!

Eu – E como!!! [rsrsrsrs]!!!

Eu – Estranho, não deveria haver essa “distinção” entre os meus companheiros de profissão. Afinal, nossos filhos precisam dos melhores professores em todas as etapas de sua educação e não apenas na universidade.

Manoel – Acho que seu amigo estava se referindo ao salário e ao diploma dele, não é?

Eu – Verdade e vergonha ao mesmo tempo. É minha opinião sincera! Atendemos um público diferente, mas educar adolescentes é tão, ou mais complexo do que formar pessoas para ser tornarem professores. Não deveria haver tanta diferença salarial. Enfatizo que isso não quer dizer diminuição dos salários, não é nivelar por baixo uma necessidade humana como a educação. Pelo contrário, a profissão de professor deveria ser uma das mais bem remuneradas em todos os níveis. Quero que meus filhos sejam bem instruídos, tornem-se bons cidadãos e profissionalizem-se em uma das qualificações profissionais que possuam vocação.

Eu- Ah! Nem sempre o tão alardeado “doutor”, possui título assim. Em vias de regra, quem exige demais ser cumprimentado por um diploma, normalmente nem o possui. Reflete mais um desejo pelo título, senão frustrações pessoais e profissionais.

Manoel – Você é doutor?

Eu – Sou professor, já disse! Embora em minha porta na universidade que trabalho eu coloquei o título que tenho. É mais para informar aos alunos, já que eles não entendem a diferença entre os professores e as agressões que sofremos, ou realizamos uns aos outros no dia a dia.

Manoel – Pensei que isso só acontecia no comércio, onde trabalho. Mas é assim mesmo, tem gente que briga por qualquer coisa, mesmo quando não deveria fazer.

Eu – Verdade! Somos humanos demasiado humanos!

Manoel – Bonito isso, viu?!

Eu – Mas não é meu... [rsrsrsrs]!!! É do título de um livro que gostei de ler na adolescência. Humano demasiado humano, de um filósofo alemão chamado Nietzsche. Muito bom livro, viu?!

Manoel – Não leio muito, professor.

Eu – Renda para viver com dignidade, Manoel, todos nós sabemos que o povo está longe disso no Brasil. Se é difícil o feijão com arroz todo dia na mesa, imagina comprar livros? Infelizmente isso é uma realidade!

Eu – Qual a sua função no comércio? Onde você trabalha, Manoel?

Manoel – Eu sou dono de meu negócio, professor. Eu vendo lanches (cachorro quente, salgadinhos, refrigerante). Há mais de dez anos! Me casei há sete e agora parece que as coisas estão melhorando para nós, né?! Por isso estou aqui, só saio daqui com minha poupança.

Eu – Sabe Manoel, tem algumas pessoas que discordariam de seu, digamos, otimismo. Eu sou uma delas. Olha, tem um tal de Chomsky, lá nos Estados Unidos, é professor, digamos, de português, entende?! Gosto da visão dele sobre nós aqui na América Latina e outros países como o nosso (por exemplo, no continente africano). Por exemplo, tentaram diminuir ou exterminar nossas relações comerciais com países europeus para assegurar a ascendência comercial americana sobre os mercados latino-americanos. Isso aconteceu logo no início de nossa República em 1889. Nesse contexto, nosso país era chamado de o “Colosso do Sul”. Nós éramos, e digo que continuamos a ser, um país estratégico para os Estados Unidos. Qual estratégia? O papel da América Latina na nova ordem mundial pós-segunda guerra é vender as matérias-primas a preço de banana e absorver capital excedente dos Estados Unidos. Após séculos de genocídio de nativos, escravidão e colonização, agora desempenhamos nossa principal função de sermos explorados em proveito dos países industriais do centro, junto com todo o resto do Sul.

Eu – Manoel, isso também não são palavras minhas. É de um livro de 1993 e mesmo antes disso, já havia grande debate nas universidades. Hoje é até piegas, ou cansativo para muitos repetir essas palavras. Mesmo que o povo sofra e sofra com ilusões de estar “progredindo”, “melhorando”. Tem um professor de economia famoso chamado Celso Furtado, ele alertou por toda sua vida e obra, que não estamos caminhando degraus de desenvolvimento. Nós não somos um país em desenvolvimento, nós somos o que somos hoje e agora. Nossa história, nosso presente e futuro, é tudo agora. Não existe uma cartilha de passos para seguir para nos tornar um tipo de Estados Unidos do Sul!

Manoel – Eu não entendi, professor. Parece que você é um daqueles políticos revoltados.

Eu – [rsrsrsrs]!!! Parece mesmo! Você tem razão! Esse discurso, mesmo verdadeiro, passou a ser explorado de tal forma que as pessoas quando ouvem só pensam em política partidária, reacionária e da pior espécie. Aquele tipo de faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Só queria falar para você que esta fila, o tratamento que temos agora é algo que vem de uma força histórica, social e cultural maior do que nós dois como indivíduos. Apenas uma coletividade desperta de sua alienação é capaz de entender e ir de encontro aos seus feitores. Não é fácil! Bom, deixa pra lá, caso contrário, você irá me perguntar a seguir se sou candidato a alguma coisa.

Manoel – Num é que eu estava pensando exatamente nisso, professor!!!

Eu – [rsrsrsrs]!!! Tá vendo, essas coisas viraram discurso e não prática. Rsrsrsrs!!! Manoel, eu não sou candidato a nada!

Manoel – Todos dizem isso também! [rsrsrsrs]!!!

Eu – Verdade! [rsrsrsrsrs]!!!

Manoel – Na universidade o senhor deve estudar muito para dar aula, não é? Na escola que eu terminei meu segundo grau eu achava alguns assuntos muito difíceis, imagino se eu passasse no vestibular o que iria me esperar.

Eu – É tudo mito, Manoel. Tenho um amigo, doutor e tudo mais, que admite abertamente que nunca leu um livro de romance. Ele estudou Machado de Assis na parte de literatura de seu livro do ensino médio. Para ele, foi o suficiente para passar no vestibular. Do meu lado, eu não sei o que seria do que sou se não tivesse lido “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. São histórias que trago com carinho comigo, coisas que influenciaram o meu modo de ver o mundo. Outras pessoas não vêem as coisas assim. Seus professores de ensino médio tiveram que estudar no mínimo quatro anos para irem à sala de aula e transmitir o que aprenderam em uma linguagem acessível para o nosso povo e a faixa etária alvo (entre crianças e adolescentes). Não é fácil! Por isso, mesmo com nossos títulos na universidade, sei que muitos dos meus companheiros não conseguiriam fazer o mesmo. Ser professor em qualquer nível exige demais de você. Muita leitura, pesquisa e um esforço para transmitir o que se aprende às pessoas. Um desafio e tanto, sobretudo para nós que vivemos mergulhados em pobreza.

Manoel – Pobreza? Eu não sou pobre, professor! Quer dizer, eu era muito pobre. Hoje tenho meu negócio e até carro 0 km!!!

Eu – É uma outra ilusão, Manoel. Qual é o seu carro? Qual escola seus filhos estudam? Qual o seu plano de saúde?

Manoel – Meu carro é simples e popular, professor. Financiei ele em 60 vezes! Quando as outras perguntas, acho que o senhor está me ofendendo. Eu trabalho muito, mas não tenho esse dinheiro todo para pagar escola privada de rico para meus filhos e no hospital uso o SUS, como todo mundo.

Eu – Somos pobres, Manoel! Não é ter uma coisa que irá diminuir isso, mesmo com seu carro 0 km. Ou você vive bem, como um sueco em Estocolmo, ou não. Aqui no Brasil, inventamos esse termo de “classe média”. Alguém que vive trabalhando para ter o mínimo dos direitos humanos (educação, saúde, lazer e até transporte) pagos duas vezes é pobre... e pobre de verdade. Falo pago duas vezes porque primeiro vai em impostos altíssimos e depois ao setor privado, já que muito de nosso dinheiro suado é desviado. Eis a tal "classe média" brasileira! Quem não conseguir fazer isso, chamamos de pobres. Quem está muito longe disso, aí chamamos de miseráveis. Manoel, nós chamamos milhões de pessoas como eu e você de miseráveis. Milhões! O Haiti também é aqui!!!

Manoel – Você voltou a falar como político, olha aí!!! [rsrsrsrs]!!!

Eu – Na verdade, agora estou parafraseando uma música de Gilberto Gil e Caetano Veloso chamada "Haiti!"!! Aproveitando também a exposição desse país pobre e a calamidade que houve recentemente. Uma tragédia humana que dá revolta e vergonha quando assistimos.




Eu – Sabe Manoel, eu não sou obrigado, mas além das aulas que dou na universidade, também me atrevo a fazer pesquisa. Eu trabalho com doenças parasitárias de animais silvestres.

Manoel – O senhor é veterinário?

Eu – [rsrsrsrs]!!! Não Manoel, o nome de minha qualificação é zoologia. Trabalho com sapos, lagartixas e cobras. Com as doenças desses animais.

Manoel – Vixe!!! Professor, sapo, lagartixa, calango e cobra? Isso tem doença?

Eu – Até muito mais do que os parasitas que estudo.

Manoel – Pra quê isso, professor?

Eu – Faço uma pequena contribuição para entendermos problemas mais gerais. Não estou diretamente ligado à área de saúde humana, mas o que fazemos pode ser aplicado em inúmeros setores, como a própria veterinária que você acaba de citar. Claro, há pessoas hoje, centenas delas, que estão doentes por causa dos parasitas que eu estudo. Queria só dizer que tenho a minha atenção mais voltada ao cuidado dos sapos, lagartos e cobras. Há setores inteiros do conhecimento humano para nós mesmos, Medicina, Odontologia, Parasitologia Clínica, Fisioterapia, apenas para falar alguns nomes que você bem conhece.

Manoel – Conheço sim, só não conhecia ainda um “doutor de calango”!!! [rsrsrsrs]!!!

Eu – [rsrsrsrs]!!! É nós existimos!!! Tem “doutor” de tartarugas, macacos, aves e muito bicho por aí. Mas acredite, somos muito poucos, menos do que é necessário para estudarmos todos esses bichos.

Manoel – Mas professor, o senhor acabou de falar de exploração do povo e agora diz que tem que ter doutor para cuidar de briba?! Falta pra gente, cuidar de calango é demais!

Eu – Mais, ou menos, Manoel. O que eu falei é aquilo que concordo na literatura e na realidade do dia a dia. As palavras de Chomsky não perdem sua força, porque também necessitamos, por exemplo, de doutores em Artes Cênicas (teatro). Uma coisa não tem nada haver com a outra, pelo contrário, essa lacuna, essa sua estranheza com o papel da ciência e outros setores do conhecimento humano refletem o país que somos. Não é por acaso que nós na universidade estamos longe da população. Isso também é resultado dos mesmos processos que geram essa fila enorme aqui neste banco.

Manoel – Eu não entendi direito, professor!

Eu – Primeiro Manoel, quando se fala de ciência, você lembra do quê?

Manoel – Foguete indo para lua, computador, raio laser, essas coisas!

Eu – Exatamente! Tudo o que você falou faz parte do empreendimento humano. No início feito pelas classes dominantes. Sabe, Aristóteles era um grande filósofo, ele não tinha emprego para “filosofar”. Ele não ganhava um “salário” para publicar seus trabalhos, não sobrevivia disso, entende? Antes do século XIX, a ciência como vemos hoje nas bancas de revistas, ou nos noticiários da TV, não existia. Homens ricos, fidalgos, aristocratas tiveram interesses maiores do que simplesmente engordar, fizeram perguntas sobre a existência, ou mesmo sobre problemas do dia a dia e foram atrás de respostas. A forma como se faz isso levou séculos para ser padronizada. Não basta apenas lógica simples para responder perguntas, temos hoje que comprovar tudo que falamos. Essa linguagem da prova, ou hipóteses falseáveis como diria um certo filósofo da ciência chamado Karl Popper. A ciência, o método, as hipóteses falseáveis mudaram todo o mundo ocidental. Permitiu que além de conhecimentos, pudéssemos aplicá-lo de uma forma até antes nunca vista. Ou seja, toda a tecnologia que dominamos, da eletricidade aos remédios, compreendem verdadeiros milagres humanos. Através de erros e acertos (erramos muito mais do que acertamos, digo de passagem), padronizando nossas ações. O resultado? Nós estamos hoje, eu e você aqui sentados e com muita saúde por sermos vacinados contra a poliomielite!!! Isso só começou a acontecer a partir de 1962, sabia?!! Para você ter uma idéia, haviam 350 mil crianças com paralisia infantil em 1988, após anos de campanha de vacinação, em 2005 esse número caiu para 2.000. Em vários países essa doença foi erradicada, o Brasil está incluído entre esses países. Apenas em locais como a Nigéria permaneceram e advinha por quê? Grupos políticos tribais nigerianos acharam que a vacina disseminava AIDS, ou esterilizava crianças mulçumanas!!! A ciência muda a vida, para o bem, ou para o mal, nós já aprendemos isso, Manoel!

Manoel – Isso é bacana!

Eu – Mas, se eu e você estamos aqui com números 614 e 634 é porque alguma coisa está errada em nosso país.

Manoel – O que isso tem haver?!

Eu – Ser “pesquisador” e ganhar um salário para viver de ciência no Brasil é coisa muito rara. A grande maioria, a grande maioria mesmo de quem faz pesquisa na América Latina é, antes de tudo, professor. E não é só no papel, tem que dar aula mesmo. Ou seja, institutos de pesquisa são poucos nos países aqui do Sul do mapa. Muitas universidades que trabalhamos não possuem qualquer histórico, ou tradição em pesquisa científica. Olha eu repetindo novamente a mesma frase “a grande maioria, a grande maioria mesmo” das universidades são formadoras de professores para o ensino médio e fundamental. Temos menos institutos de pesquisa e universidades do que necessitamos e o pouco que temos também é comparativamente pequeno em relação aos grandes países do poder... Pesquisa científica não é o forte em nosso país, infelizmente. Não somos muitos e o dinheiro investido para isso, mesmo crescendo ano após ano, ainda está aquém do necessário para mudarmos nossa realidade com nossas próprias mãos.

Eu – Um dia desses Manoel, nós não conseguiríamos fazer qualquer tipo de vacina. O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz são luzes importantíssimas na escuridão da ciência que vivemos todos nós aqui na América Latina. Embora, apenas essas duas instituições não sejam suficientes e nossa dependência dos grandes laboratórios farmacêuticos internacionais está longe de terminar.

Eu – Sobre nosso papel na ciência mundial, eu sempre gosto de citar a música do Jorge Ben Jor. Nós somos “A banda do Zé Pretinho”, nós chegamos um dia desses... para animar a festa!!!




Nossa participação é recente, ainda pequena, mas muito importante, se compreendermos que temos de contribuir para o conhecimento humano como um todo. Por outro lado, há a necessidade de conseguirmos emancipação tecnológica e, por que não dizer, social. Precisamos contribuir sem sermos apenas dependentes passivos. Olha, há doenças neste país que são endêmicas, como o mal de Chagas. Não dá para esperar, nem acreditar que algum grande laboratório internacional se dedique a erradicar nossas doenças. Eles combatem prioritariamente seus próprios males das regiões temperadas. Dengue, Chagas, calazar e outras doenças vinculadas à pobreza desses nossos tristes trópicos são nossos desafios. Estou falando da área da saúde, mas há ainda necessidades como desenvolver e fortificar uma indústria brasileira sustentável, um programa sério de saneamento público em larga escala, reciclagem do mesmo jeito, muita coisa!

Eu – É uma batalha e tanto! Ciência, educação, saúde, cidadania tudo junto até que essa fila absurda não exista mais, pelo menos não desse tamanho!

Manoel – Continuo achando que você quer se candidatar a vereador, professor!!! [rsrsrsrs]!

Eu – [rsrsrsrs]!!! Não dá para fazer tudo em uma única existência, Manoel!!! Olha a quantidade de necessidades humanas que possuímos aqui no interior do nordeste?! Você acha que é diferente do Norte, ou das regiões mais centrais desse nosso país continental? Há locais onde não há energia elétrica e a quantidade de analfabetos presentes em nosso país ainda é da ordem de milhões de pessoas!

Eu – Mas não conseguiremos sem você. Sem o apoio do conhecimento do povo, de seus direitos. Por exemplo, por que infernos existe vestibular? Faltam universidades para todos, então construam, pô!!! Por que a Coréia possui industria automobilística própria e nós não? É achar que nós somos estúpidos demais para aceitar algumas coisas.

Nesse momento ecoa pelo saguão do banco: “PIM BOM”. Duas horas e meia depois está lá no mostruário digital o número 614.

Eu – É minha vez! Como diria minha mãe, desculpe-me se falei demais, Manoel. Eu não quis apenas reclamar. Espero que pelo menos entenda porque precisamos de educação, valorizar os professores e o papel da ciência na sociedade. Melhorar nosso arroz com feijão e a qualidade das frutas que comemos é ciência aplicada. As pessoas devem entender mais do que fazemos, porque toda a forma de preconceito só se mantém na ignorância.

Manoel – Entendi, professor! Espero que meu filho nunca deixe de estudar.

Eu – Nem você, Manoel, nem você!

Eu – Até mais e se cuida!

Após me despedir de Manoel, é hora de solicitar o extrato da conta do projeto que coordeno para prestar contas. A ciência caminha devagar, mas nesse caminho tortuoso, espero que pessoas como Manoel compreendam o que tentamos fazer com todas as dificuldades. Que ele tenha uma vida plena, enfrente os problemas desse país colonizado com cabeça erguida e se precisar de nós estamos ao seu dispor.

Além disso, nossos filhos merecem muito mais do que temos hoje!

Um mundo melhor!

3 comentários:

nadiajung disse...

Que posso dizer, carissímo ''Waltécio'' moço do nome diferente?rsrs..
Poderia citar vários momentos importantes do diálogo, porque gostei do rendimento da conversa na FILA DE UM BANCO!!!Melhor que ler um livro ainda...Porque ali Você cmpartilhou COM ELE, E AGORA COMPARTILHOU com nós!!
Adorei isso tb:''...“Memórias Póstumas de Brás Cubas”. São histórias que trago com carinho comigo, coisas que influenciaram o meu modo de ver o mundo. Outras pessoas não vêem as coisas assim''... Sinto , que é por aí ...
Abrção ...Bicho Solto...
Nájung.

Waltécio disse...

Oi Nádia!

O encontro aconteceu de verdade, a fila demorou muito mais e a conversa muito menos... rsrsrs!!!

Para tentar falar da importância da educação e ciência fiz um "mix" de pelo menos duas pessoas verdadeiras para resultar em Manoel do texto.

Um amigo meu achou forçado, porque em fila só se fala de duas coisas: da fila propriamente dita e a raiva de estar ali mais de uma hora(atendimento incluso).

No caso específico, a pessoa que encontrei no banco realmente estava lá para realizar um sonho pessoal e familiar: a primeira poupança. Ele estava empolgado e feliz por aquele momento... Isso não tinha nada haver com a fila... Uma serpente colossal composta por cada um de nós... Um leviatã que se movia lemtamente por toda a tarde.

Entrei às 13:30, sai 17:45!!! Tudo para obter um extrato. Queira escrever sobre isso, para mostrar as pessoas como prestamos conta e se dá alguns aspectos do financiamento de projetos de pesquisa. As contas "Tipo B" tem lá suas lógicas e definições... Mas a fila... ainda bem que levo um livro, ou há alguém para conversar!

Obrigado pelo comentário, minha querida Nádia. No próximo post será uma conversa entre eu e meu filho. Um texto sobre ciência aplicada para crianças!!!

Beijos!!!

PS.: Machado de Assis é tudo de bom!!!

Anônimo disse...

BEM, EU NÃO CONCORDO NÃO COM A DEMORA DA FILA TER SIDO MAIOR DO QUE A CONVERSA QUE TENHA SIDO MENOR**

Até porque,esse tempo que ficaste na fila é muito,mas muiiiiiito tempo entende; e tb n concordo com seu amigo dizer que foi forçada '' a conversa'', acho que vindo de você é natural tal qual tipo de conversa*
e,além,do mais, me diga o que não se conversa numa fila dessas?
Basicamente aquilo,mas mais um pouco!Sempre. Até arruma-se um noivo...rsrs...

Bem acho que você pasou bem seu recado*
Parabéns!!
Mais uma sempre vez,parabéns...
NádiaJ.

 
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