quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Amor de Primata


Meu caro leitor, eu sei que você está esperando de mim a frase: “o amor é genético”...

... Bem, é verdade! Quem sou eu para decepcioná-lo, não é?!!

Amor entre pessoas é um sentimento e todos os sentimentos não são aprendidos. Caso fosse assim, imaginem: haveria culturas com mães mais amorosas do que outras!!! Todavia, nós sabemos que mãe é mãe em qualquer parte do mundo.

Vou abordar apenas dois tipos de amor: (1) o sexual – impulso para reprodução e (2) o familiar – resultado do anterior. Como este Blog não é um guia completo do mochileiro das galáxias, não abordarei amor à pátria, ao carro novo, ao animal de estimação, ao time de futebol, entre tantos outros.

Amor sexual
Nós afirmamos amar pessoas que não possuem vínculo genético conosco. Nós nos apaixonamos e dizemos “eu te amo”, embriagados com ferômonios. Isso não ocorre sem uma seleção prévia, onde a aparência é central primariamente, mesmo que não seja a causa absoluta para um relacionamento. Sendo assim, os sentidos vêm em primeiro lugar (visão, audição, tato, gustação), a beleza “interior”, mesmo que importante, só vem depois.

Beleza é simetria e algumas proporções corporais (homens com tórax em “V”, mulheres o inverso em “A” e corpinhos de violão). Sinais de boa saúde, desenvolvimento embrionário normal e fertilidade.

Em termos de relacionamento homens e mulheres possuem estratégias, interesses e objetivos diametralmente díspares. Como sabemos o investimento na reprodução conta muito. Homens gastam o mínimo para a produção de um espermatozóide, enquanto comparativamente um óvulo leva mil vezes a mais o mesmo investimento energético. Sem contar nas alterações hormonais das mulheres e, caso o óvulo não seja fecundado, haverá perda de sangue e tecidos... isso acontece todos os meses, em média por um pouco menos de 30 anos!

Caso o óvulo seja fecundado um ser humano será gerado e permanecerá na dependência das energias de sua mãe por um período de 20 anos, ou mais em nossa atual conjuntura.

Compreende-se assim, porque as mulheres são seletivas e os homens não. Elas têm mais a perder em uma escolha errada do que eles.

Parece machismo, mas a grande maioria dos mamíferos é poligama, como na fantasia dos homens-bomba pelas suas e só suas dezenas e dezenas de mulheres no paraíso. De forma estranha, mas de conhecimento público, sabemos que homens poderosos possuem amantes, mesmo em culturas com leis de defesa da monogamia.

A natureza guia nossos instintos rumo à reprodução em uma fórmula de conhecimento popular: homens maduros com 40 anos possuem estabilidade e atraem muitas mulheres. Eles estarão sempre atraídos em média por mulheres entre 18-25 anos. Estão sob o signo: “macho maduro, fêmea jovem com vigor de fertilidade”.

Delicado o assunto, mas se você é uma mulher de
status e com 40 anos, em média, atrairá poucos homens (comparado às jovens). Muitas se magoam com isso e rebatem citando exemplos de estrelas hollywoodianas como símbolos de mulheres maduras, sexies e cobiçadas. Mas o que eu escrevo aqui é para a maioria, um número de representação da média populacional e não às exceções (leia o post deste Blog chamado “Realidade”).

As mulheres devem mais do que nunca se emancipar, tornarem-se independentes financeiramente e ocupar seus lugares de destaque no hall dos setores humanos. Em média, as donas-de-casa sofrem com o envelhecimento, a perda do poder reprodutivo e a dependência de um homem.

Melhor ser sozinha do que má acompanhada, enquanto mulher de sucesso, doutora, pesquisadora, filósofa, médica, enfim, independente e dona de seu destino.

Sem contar o Efeito Coolidge já constado em ratos, hamsters, pombos, bois e macacos. Parece haver uma diretriz genética que diminui a freqüência e desejo sexual dos parceiros, motivando-os a procurar novos amores. Essa é a resposta científica para aquilo que se conhece como “rotina” e compreende um dos fatores mais importantes responsáveis por milhares de divórcios no mundo.

Apesar de tudo isso, com todas as diferenças, homens e mulheres se entendem e formam famílias desde o Pleistoceno. Quando se fala em relacionamentos duradouros, ambos os sexos falam a mesma linguagem e possuem os mesmos objetivos. A convivência de momentos para além da alcova, na bonança e nas dificuldades, faz o relacionamento entre um casal se consolidar. É aquele sonho de casamento perfeito e idealizado por muitos e desfrutado por poucos.

Amor familiar
Acho que todos aqui conhecem aqueles cálculos feitos por professores de comportamento animal: se minha irmã possui 50% de meus genes e meus sobrinhos 25%, então é melhor salvar quatro destes (= 100%), do que minha irmã. Nós humanos não fazemos esses cálculos conscientemente e sim da forma emocional.

Imagine a cena: entre a vida e a morte, você só pode optar por sua irmã, ou os filhos dela... Se a opção é apenas essa, então não é você que optará, mas sim a sua irmã. Ela gritará para você salvar os filhos dela... Se mesmo assim você salvá-la e não aos seus sobrinhos poderá ser a morte de sua irmã em vida. Ela poderá te odiar pelo resto de seus dias.

Esse é um cenário simples, com lógica simples para um problema complexo.

Se fosse apenas um sobrinho (25%) e não quatro (100%), ainda assim sua irmã defenderia a mesma atitude. Você não teria escolha!

Filhos são prioridades para seus pais. As mulheres, como são em médias mais emocionais, expressam nada menos, nada mais do que o... AMOR DE MÃE. Um amor genético, completo, incondicional e absoluto.

Nós sabemos disso, porque somos frutos desse amor. Gostamos tanto desse carinho e amor sem fim, que chegamos a extrapolar para “pátria mãe”, “mãe natureza”, "coração de mãe", ou frases como “você é uma mãe para ele!”, pode-se tudo “na casa da mãe Joana”.

Filhos representam mais do que uma média de 50% de genes compartilhados. São frutos de competição e seleção sexual acirradas, estratégias de sobrevivência e investimentos energéticos. Filhos são a continuidade da vida, fluxo de genes ininterrupto de nossos ancestrais.

Lembro de um final de manhã em 2005, quando ao voltar do trabalho meu filho Daniel correu pelo corredor para os meus braços gritando “paiinhooo”. No abraço de meu filho eu fui pleno, naquele momento me senti um dos homens mais felizes do mundo.

As mãos pequenas, os cabelos sedosos, a pele macia, o sorriso encantador de Daniel e Gabriela... É assim, estar com meus filhos é ter descargas de endorfinas em meu cérebro. Eu os amo e sei que esse sentimento é fisiológico, bioquímico, genético, está na carne e ossos do meu corpo.

Confesso que tinha crises de niilismo antes de ser pai. Após o advento de meus filhos, a natureza se fez presente, a dúvida da existência me abandonou e passei a ter certezas emocionais.

Guerras, fome, doenças, animais perigosos, proceras poderosas, mares revoltos, incêndios nas planícies, vulcões e cometas. Nossos ancestrais enfrentaram tudo isso, para você e eu hoje estarmos sentados aqui na frente de um computador.

Você representa uma linha contínua no espaço e no tempo do fluxo de genes. Respeite seus ancestrais, não deixe o esforço deles ser em vão: reproduza!

Superporpulação?! Isso não ocorre com outras espécies, porque elas possuem controles populacionais determinados por barreiras biogeográficas, predadores, parasitas, doenças e recursos ambientais limitados.

Caso nossa população ultrapasse o limite ecológico suportável neste planeta, muito provavelmente haverá pandemias, fome e morte de milhares, ou milhões (será que isso não está acontecendo hoje?).

A natureza sempre encontra um caminho. Ela nos ama como uma mãe, mas é corretiva e educadora. Ela dá, ela toma!

Nosso dever é retribuir à altura esse amor!

2 comentários:

rogerio disse...

Muito bem escrito. Os homens produzem tantos espermatozóides que com uma única ejaculada seríamos capazes de povoar toda a América Latina! A distância percorrida pelo espermatozóide, dos epidídimos até o óvulo, equivale a cem quilômetros em proporções humanas. Com vários obstáculos a serem transpassados. Aproximadamente quatrocentos milhões concorrem, apenas duzentos chegam, apenas um fecunda. Um milagre estarmos vivos!!!

Waltécio disse...

Isso mesmo, velhinho!!!

Não precisa de tantos homens e nossa efemeridade (viver menos que elas) parece estar bem explicada por esses dados (entre outros).

O mundo é das mulheres! Nós ficamos com "raiva" disso e reagimos do jeito que sabemos fazer: violência masculina.

Estamos em dívida com elas há mais de mil anos.

Espero que minha filha encontre um mundo melhor. Mas aí, eu concordo com você no Orkut, cada dia que passa eu também acho que nós estamos perdendo o que há de bom no sonho da humanidade. Somos mais selvagens do que nunca.

Abraço, meu amigo de tantos e tantos anos!!!

Sucesso e felicidades para você!

 
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