Após o sucesso da Trilogia das Mulheres, perguntaram-me se escreveria sobre outros grupos humanos que sofrem discriminação, topei o desafio com um aditivo, que um dos posts fosse dedicado inteiramente ao especismo (preconceito contra espécies não humanas).
A lista ficou assim: homossexuais, negros, doentes mentais, deficientes físicos, obesos, idosos e animais. Ao invés de três, agora serão sete textos desencadeados e unidos por um tema principal: discriminação.
Essa lista não inclui tudo, nem tão pouco os textos abrangerão todas as questões inerentes a cada grupo... mas, garanto que valerá a pena ler!
Se você acompanha este Blog há algum tempo deve ter idéia do que virá. Já eu não... rsrsrsrs!!! Os textos que escrevo vem como uma idéia, ou mesmo pertencem a uma recordação de meu passado... Tomam cores de realidade pela contextualização em nosso cotidiano e ganham sempre a simpatia de meus amigos... muitos deles também personagens dessas histórias da vida real.
Sei que deveria escrever em termos politicamente corretos, por exemplo, "pessoas especiais" ao invés de doentes mentais, ou "melhor idade" ao invés de idoso. Não farei isso, porque não quero pintar uma parede apenas para disfarçá-la. Quem tem qualquer diferença de um humano médio, sabe o que passou na infância, ou por toda vida, sobretudo, caso se foi ou é pobre - a grande e esmagadora maioria das pessoas no mundo.
Todos nós já fomos discriminados um dia. Podemos até ser ricos, mas somos brasileiros e nesse mundo há quem deteste latino-americanos. Você pode ser uma personalidade política eminente, mas é de um estado da região nordeste e há quem odeie nordestinos.
Passa na TV quando turistas brasileiros não conseguem entrar na Espanha, dormem em um aeroporto e voltam para o Brasil. É noticiado como discriminação. Entretanto, olhem bem a sua volta e depois perguntem para si mesmos se vocês discriminam, ou discriminaram alguém antes. Às vezes é considerado tão normal certas atitudes que nem prestamos atenção em toda a dor e mal que causamos.
Bem, se a realidade é a maioria(*), então... vamos a ela. Afinal, quem consegue não ser discriminado?
(*) Quem não leu esse post de 2008 clique: Realidade
Um de meus amigos da graduação e pós-graduação (mestrado) na UFPB é o Dr. Antônio Christian de Andrade Moura (vulgo "Quick"). Ele publicou dois artigos na Science sobre o uso de ferramentas por macacos-pregos (Cebus apella) no estado do Piaui:
Visalberghi, E. e Moura, AC. de A ., 2005. Terrestriality and tool use. Science, 308(5724): 951-952. Moura, AC. de A. e Lee, PC., 2004. Capuchin stone tool use in caatinga dry forest. Science, 306(5703): 1909-1909.
Hoje tive o prazer de assistir ao vídeo que a BBC fez a respeito desses trabalhos:
Inteligência, uso de ferramentas e cultura não são exclusividades dos humanos e chimpanzés. Os nossos macacos brasileiros que o digam!!!
Chegamos ao final do Arco da Trilogia das Mulheres, na verdade, era este post que tinha em mente desde o início, mas precisava expressar os dados apresentados nos dois posts anteriores.
Segue então um resumo antes de prosseguirmos: (1) Mulheres e homens são diferentes em genética, anatomia, fisiologia e comportamento. (2) Homens fazem tudo pelo acesso sexual às mulheres, estas, em média, procuram relacionamentos com envolvimento emocional. (3) As mulheres são equipadas com cérebros e hormônios para a afetividade e relacionamentos, homens bem menos. (4) As diferenças na energética e conseqüências da reprodução humana determinam à expressão dos apetites sexuais. (5) Mulheres são tão sexualizadas, ou mais do que os homens. (6) As mulheres são selecionistas, homens em via de regra são generalistas. (7) O estro das mulheres é oculto, os homens não sabem se transam com mulheres férteis. (8) A seleção sexual pode ser otimizada da melhor forma possível, quando não se possuí um marido ideal com recursos e boa genética, elas podem partir para a estratégia de homens para reproduzir, outros para criar (sem contar com outros aspectos inerentes à guerra dos espermatozóides).
Notem que em termos de sexo, mulheres e homens são reflexos em um espelho. Parecem ser um oposto ao outro, regra para um não é para o outro.
Essas diferenças não são exclusividade da espécie humana, está em comum acordo com a maioria dos animais vertebrados. Note o que eu acabo de escrever: VERTEBRADOS. Está para além dos mamíferos!!! São regras onde o sexo que possui maior investimento, passa a selecionar seu par. Na maioria das vezes é a fêmea, quando é o inverso, machos passam a selecionar suas parceiras, como nos pingüins imperiais na Antártida.
Em um olhar global sobre as espécies dióicas (com sexos separados) notamos que em muitos grupos de animais, o sexo masculino é efêmero. Diversos grupos de insetos como os mantídeos (louva-a-deus) e, notoriamente, nos aracnídeos, os machos vivem até a época da reprodução e são devorados por suas fêmeas. Há lógica adaptativa nisso, tendo em vista que são as fêmeas que nutrirão os filhotes, após a função de reprodução não há sentido dos machos continuarem vivos. Favorecem com a energia de seus corpos sua prole quando devorados. Amor nesse mundo é verdadeiramente canibal!!!
Em outros casos mais extremos, como em algumas espécies de equiúros (um grupo de anelídeos sedentários muito modificado), os machos são aprisionados no aparelho reprodutor da fêmea. Sim, meu caro leitor, há formas de vida neste planeta, onde os machos nunca vêem a luz do dia. Eclodem de seus ovos e vivem dentro da fêmea. É uma relação mutualística bem estranha, ele vai obter seu alimento da fêmea como um endoparasita, ficará lá dentro dos túbulos uterinos e fecundará todos os ovos produzidos por ela. No mundo externo, apenas se verá as fêmeas, dentro delas, em meio à escuridão úmida, estão seus machos e escravos sexuais.
Citei também a paternogênese rapidamente no post anterior apenas para demonstrar que até mesmo na ausência completa dos machos, algumas fêmeas são capazes de se reproduzirem com sucesso sozinhas!!!
Por fim, falando de nós mesmos, as estatísticas dizem tudo: em média, homens vivem menos que as mulheres. Isso é tão conhecido por nós hoje que faz parte dos diálogos realizados pelos pediatras no pré-natal. Está em livros como "Criando Meninos" (Biddulph, 2002) e "Criando Meninas" (Preuschoff, 2006). Quais os motivos?! Um dos principais fatores dessa brevidade de vida é a quantidade de testosterona nos homens. Em altos níveis a testosterona chega a ser cancerígena, como bem sabemos o fim dos "homens-bombas" das academias. Tomar testosterona de animais para desenvolver musculatura possui graves efeitos colaterais.
Testosterona não é apenas ligada ao desenvolvimento da massa muscular, como também é está relacionada à agressividade. Na adolescência morrem muito mais meninos do que meninas. Seja por agressividade corporal, seja por envolvimento em atividades perigosas de competição (pe., os rachas automobilísticos são quase exclusivamente realizados por homens jovens).
Ao resumir tudo isso e contemplando o que sabemos sobre as mulheres hoje em dia, nós homens estamos perplexos.
A "supremacia masculina" sofreu um golpe terrível pela ciência. Nós somos diferentes, mas essas diferenças não justificam a desigualdade entre os sexos. Escrever assim é um eufemismo, porque não é apenas uma questão de desigualdade, mas sim de possessão, humilhação, tortura e morte. Por séculos e nas mais diferentes culturas as mulheres têm sofrido com o abuso masculino.
Elas vivem hoje em um estágio de reconhecimento de seus direitos como seres humanos em um mundo completamente ditado por nós homens.
Líderes religiosos, políticos, poetas, compositores, pintores, cientistas, filósofos, astronautas, tudo dominado por homens. Os heróis dos quadrinhos e personagens dos desenhos animados de minha infância: são todos homens! Se há alguma mulher nesse mundo elas são figurantes passivas das histórias e estórias narradas. Sem contar na forma apresentada muitas vezes como simples objetos sexuais dos homens. Um exemplo simples e rápido, enquanto o "super-homem" anda por aí todo vestido (mesmo com a cueca vermelha sobre as calças), a "mulher-maravilha" anda quase nua!!! Quantos filmes de longa metragem existem do "super-homem" e quantos da "mulher-maravilha"?! Pois é, apenas um exemplo entre outros tantos e tantos.
Isso não se restringisse apenas à ficção, a face cruel é saber que hoje em dia no Brasil uma mulher ocupando a mesma função de um homem e, às vezes até com maior escolaridade, ganha em média 24% a menos de remuneração.
Hoje pela manhã em sala de aula perguntei aos meus alunos (a maioria esmagadora de mulheres): Quantos prefeitos do Crato foram mulheres? Quantos governadores do Ceará foram mulheres? Quantos presidentes do Brasil foram mulheres?
Em décadas, séculos, milênios: todos homens!
Nós homens sabemos do poder atrativo das mulheres, não resistimos a ele. Mesmo que haja um ou outro homem que se prostitua, a exploração do sexo por dinheiro é imposta pelos homens às mulheres... mundialmente!!! A pornografia, que chega a 90% dos conteúdos da internet, é quase toda voltada, financiada e alimentada por homens. Pesquisas demonstraram que até os sites de nus masculinos são freqüentados em esmagadora maioria por homens.
Mesmo homens que foram selecionados e são os "astros" do momento, podem não serem amanhã. Todos os homens machistas, possessivos e agressores sofrem de baixa estima, são inseguros e temem as mulheres.
Por muito tempo em nossa história a virilidade e vigor masculino foram medidos pela sua fertilidade. Homens estéreis e impotentes culparam suas esposas e amantes pelos seus defeitos. Exemplo clássico é Napoleão Bonaparte, quando imperador da França, desposou Josefina de Beauharnais, que já possuía dois filhos do primeiro casamento. Napoleão não conseguiu ter filhos com Josefina... ela foi exilada e dado a Napoleão o direito do divórcio devido à infertilidade da esposa.
Josefina foi imperatriz da França, se o contrário fosse verdade e Napoleão estéril, ela não teria direito ao divórcio, tão pouco exilar o imperador.
Os homens temem serem traídos e criar o filho de um outro. Na mitologia masculina, o amante de sua esposa é um "espertalhão sedutor de mulheres (solteiras, ou casadas)", esse mesmo canalha fictício é a fantasia da maioria dos próprios homens. Ser aquele desejado e procurado por mulheres solteiras e casadas... é a fantasia do "Primo Basílio", ou o "James Bond - 007" do Cassino Royalle!!!
Pimenta nos olhos dos outros é refresco! Traição então?!
É o medo de não ser um homem acima dos outros, o medo de não ser o preferido, um medo de ser condenado a criar o filho do "dotadão" da música dos Ratos de Porão.
Homens assim são inseguros e perigosos, porque são homens. Lembrem-se, agressividade está sempre em alta na lista das reações masculinas. Está em todo lugar em que estivermos: no trânsito, nas arquibancadas dos estádios, nas festas de rua, nas salas de aula. Homens reagem prioritariamente pela agressão, mesmo em situações que parecem ridículas como discutir por um time de futebol.
Não há justificativa para toda a sorte de agressão, humilhação e submissão que impomos às mulheres. É transcultural, está presente em todos os países e se arrasta por séculos. Talvez haja realmente uma base genética para nosso "macho demoníaco", algo de Pan troglodytes em nossos ancestrais. Entretanto, mesmo surrando e estuprando suas fêmeas, os chimpanzés (P. troglodytes) não chegam perto do nível de tortura hedionda que praticamos.
Por outro lado, nós homens nunca usamos cinto de castidade, assim como nenhum menino foi castrado para controle de seu apetite sexual.
Fazemos isso hoje com as mulheres, hoje em pleno século XXI com ciência de sobra, com o conhecimento que temos.
Para quem não sabe, a UNICEF elegeu a data 6 de fevereiro para o "Day Against Female Genital Mutilation" (Dia Contra a Mutilação Genital Feminina)... isso começou em maio de 2005!!!
As mulheres continuam a serem apedrejadas até a morte por adultério em países islâmicos. Apenas no Irã foram oito mulheres apedrejadas e mortas em setembro de 2008!!!
Sou um homem de 37 anos, já tive em meus braços todas as mulheres da música cantada por Martinho da Vila. Ri, chorei, amei, fui amado, em muitas vezes foi começando bem, mas tudo teve um fim. Como todo garoto, imaginei uma mulher ideal, minha musa particular... A chamei "Milena", por causa de Franz Kafka. Minha Milena, amor platônico e inspirador. Assim tenho as mulheres em mim, sempre como portos seguros, colo, paz e amor.
Lembro a todos os biólogos que muitos nomes de animais são inspirados nas mulheres, como a família de Polychaeta chamada Aphroditidae, ou mesmo toda a flora do Brasil que foi inicialmente dividida em regiões fitogeográficas com nomes de dríades e ninfas na Flora Brasiliensis (von Martius, 1840).
Para encerrar essa trilogia, despeço-me com a música "Woman in Chains" (Mulher Acorrentada - em tradução livre) de uma das minhas queridas bandas da década de 1980 chamada Tears for Fears:
You better love loving and you better behave Você é melhor no amor, amando e age bem melhor You better love loving and you better behave Você é melhor no amor, amando e age bem melhor Woman in chains, woman in chains Mulher acorrentada, mulher acorrentada Calls her man the great white hope Chame o homem dela de "a grande esperança branca" Says she's fine, she'll always cope, ooh Diga que ela está bem, que ela sempre lutará, ooh Woman in chains, woman in chains Mulher acorrentada, mulher acorrentada Well, I feel lying and waiting is a poor man's deal (A poor man's deal) Bem, eu sinto que cai na mentira e esperar é um negócio de homens pobres And I feel hopelessly weighed down by your eyes of steel (Your eyes of steel) E eu sinto sem esperanças o peso de seus olhos de aço Well, It's a world gone crazy keeps woman in chains, woh woh who Bem, este mundo é louco mantem a mulher acorrentada, woh woh who Woman in chains, woman in chains Mulher acorrentada, mulher acorrentada Trades her soul as skin and bone Comercializa a alma dela assim como sua pele e ossos (You better love loving and you better behave) Você é melhor no amor, amando e age bem melhor Sells the only thing she owns Vende a única coisa que lhe é própria (You better love loving and you better behave) ooh ooh (Você é melhor no amor, amando e age bem melhor) Woman in chains (the sun and the moon), woman in chains Mulher acorrentada (o sol e a lua), mulher acorrentada Men of stone, men of stone, hey baby, no no no, ooh Homens de pedra, homens de pedra, hey baby, não, não, não, ooh Well, I feel deep in your heart there are wounds time can't heal (The time can't heal) Bem, eu sinto profundamente que em seu coração há feridas que o tempo não pode cicatrizar (o tempo não pode cicatrizar) And I feel somebody somewhere is trying to breathe E eu sinto que alguém em algum lugar está tentando respirar Well, you know what I mean Bem, você sabe o que eu quero dizer It's a world gone crazy keeps woman in chains Este é um mundo louco mantem a mulher acorrentada It's under my skin but out of my hands Está sob a minha pele, mas fora do alcançe de minhas mãos I'll tear it apart (somebody somewhere is trying) Eu rasgarei isso em pedaços (alguém em algum lugar está tentando) But I won't understand (to breathe) Mas eu não vou compreender (respirar) I will not accept the greatness of man Eu não aceitarei a grandeza do homem It's a world gone crazy keeps woman in chains Este é um mundo louco mantem a mulher acorrentada Gone crazy keeps woman in chains Enlouquecido mantem a mulher acorrentada So free her, so free her, so free her Então liberte-a, então liberte-a So free her, so free her (the sun and the moon) Então liberte-a, então liberte-a (o sol e a lua) So free (the wind and the rain) her, so free her Então (o vento e a chuva) liberte-a, então liberte-a So free her, so free her, so free her, so free her Então liberte-a, então liberte-a, então liberte-a So free her, so free her (the sun and the moon) Então liberte-a, então liberte-a (o sol e a lua) So free (the wind and the rain) her, so free her Então (o vento e a chuva) liberte-a, então liberte-a
A Trilogia das Mulheres é dedicada à minha filha Gabriela!!! Que ela encontre um mundo melhor para viver, exerça sua sexualidade, lute com bravura e coragem por seus direitos!!!
Vimos no post anterior que nós homens fazemos tudo por uma mulher. Isso não quer dizer “casar” , fazemos tudo nem que seja por apenas uma noite. Quanto mais bela a mulher for, mais difícil será o acesso a ela.
Novamente, a seleção de quem estará em seus braços está com as fêmeas. A alcova dos homens está sempre disponível.
Escolher errado para elas é ter um filho e criá-lo sozinha, isso era difícil no Pleistoceno e é mais ainda nos dias de hoje.
Somos um dos animais com maior período de gestação e, sobretudo, um longo desenvolvimento pós-parto. Nossos filhos ao nascerem não passam de fetos ainda incompletamente formados. Os nossos sentidos não funcionam direito, não há ainda um relógio biológico entre dias e noites, não andamos, não falamos, não temos dentes, ou pêlos suficientes para nos proteger... somos completamente dependentes de nossas mães.
Pesamos em média três quilos e aumentamos rápido com o passar dos meses. A mãe deverá carregar seu filho frágil e ainda se alimentar bem, muito bem, por ela e por seu bebê.
Quando desgrudamos de nossas mães? Hoje em dia por volta dos 20 anos, em muitos casos a resposta é nunca.
Ter filhos é, portanto, complicado e dispendioso. Por isso, em nosso ambiente ancestral, onde não há o milagre biotecnológico dos anticoncepcionais e preservativos, os pais devem mostrar seu valor e compartilhar das responsabilidades pela sobrevivência de seus filhos.
Beleza sempre põe mesa e está vinculada aos sinais de saúde e fertilidade. Uma bela mulher possui um rosto simétrico, seios rígidos com mamilos rosados, cintura de pilão, bumbum firme e arrebitado. Uma bela mulher para a maioria dos homens é jovem e fértil!
Em grande parte, não importa seu grupo social, se é bela, há homens disponíveis o tempo todo. Não é por menos que as pesquisas genéticas sobre o povo brasileiro realizadas na UFMG indicaram que a mistura racial se deu entre homens brancos e mulheres negras, índias e mulatas. Mesmo que isso tenha sido favorecido pelo processo de colonização, o qual os homens vieram primeiro a este continente, mostra tão somente que não há barreira social para o instinto masculino por sexo.
Nossa fome sexual é notória!!!
As mulheres também desejam muito o sexo e sentem prazer igual, ou até maior que os homens devido ao seu aparelho reprodutor possuir mais inervações nervosas e terem orgasmos múltiplos.
Entretanto, mesmo que o sexo sirva também para solidificar relações humanas, esse “também” é porque ele prioritariamente caminha ao lado da reprodução.
Aí voltamos para o início deste post: os custos da reprodução são desiguais. As mulheres têm muito mais para investir em energia, tempo e estrutura de vida do que os homens.
Sou chato e perco a elegância do texto por ser sempre repetitivo: a alcova dos homens sempre está disponível.
Engraçado é ver os amigos falarem que estavam bêbados porque fizeram sexo com uma mulher "feia", mas se vangloriarem por “pegar” a mais bela do baile.
Claro, nós homens teremos tantas quanto possamos ter em nossas camas. Isso não implica que estamos selecionando uma mulher para matrimônio, nem mesmo namorar. Estamos à procura instintivamente por sexo e este é companheiro irmão da reprodução.
Elas selecionam os melhores homens a princípio por beleza, regras comportamentais e status no grupo. Por exemplo, um rei será desejado acima de seus subalternos, entretanto, já foi demonstrado em pesquisas que basta um homem estar empenhado em conquistar seu espaço no seu grupo social, que elas passam a lhe admirar.
Guerreiros Aimori Yanomamis, empresários de sucesso, jogadores famosos, estrelas do rock’n’roll, não necessariamente belos, no sentido estrito da palavra (simetria, corpos saudáveis e outros atrativos). Cito o caso de Stephen Hawking que casou novamente após seu corpo degenerar por esclerose lateral amiotrófica. Sua segunda esposa, Elaine Mason, foi sua enfermeira, que passou a admirar aquele nobre homem... O mais famoso físico do mundo na atualidade.
Vejam bem a regra: mulheres belas e jovens podem ter o mundo masculino aos seus pés. Quando usam isso com sorte e frieza há os casos como a “Material Girl” Madonna, cuja trajetória de sucesso foi favorecida através do sexo com homens influentes.
Se uma mulher não possui a beleza e “corpo hipnótico”, é melhor não deixar de estudar e ter cuidado com nós homens. Estamos sempre à espreita por sexo, mas isso não quer dizer matrimônio, infelizmente até o reconhecimento da paternidade dá trabalho.
É algo tão grave e tantas mulheres e crianças sofreram, que hoje há leis de proteção dos direitos da maternidade e punição para os pais “fujões”.
As mulheres selecionam seus parceiros, elas não estão disponíveis para qualquer um. Chamamos de estupro o ato desesperado e violento de um homem por sexo (e filhos). Se uma mulher sedenta por sexo atacar um homem... dependendo da hora e local será prontamente correspondida!
Nos dois casos podemos citar filmes que exemplificam o terror do estupro como em “Questão de Honra”, ou a surpresa e descrédito de um homem que foi atacado por uma mulher belíssima em “Assédio Sexual”. Os dois filmes estrelados pela mesma atriz, Demi Moore, no papel de vítima no primeiro e vilã no segundo. Neste último, a recusa de Tom Sanders (Michael Douglas) para sua chefe sexy Meredith Johnson (Demi Moore) é como diriam meus amigos “só em filme mesmo”.
Para a infelicidade dos homens, as mulheres, assim como as fêmeas dos chimpanzés bonobos (Pan paniscus) não possuem estro à amostra. Em outras palavras, o “cio” das mulheres é silencioso e só elas sentem quando estão no período fértil, com aquele calor e umidade entre as pernas.
Outros macacos não são assim, por exemplo nos chimpanzés P. troglodytes quando em cio, as fêmeas apresentam um intumescimento da genitália e exalam um odor típico. O macho alfa faz a festa com as suas preferidas e deixa os outros machos que lhe apóiam na coalizão de poder terem acesso a outras fêmeas.
Nesse cenário, há sempre a possibilidade de um macho em posição inferior no grupo ficar sem uma fêmea. Velhos e adolescentes formam esse grupo. No primeiro caso logo morrem, no segundo, crescem em força e tomam o poder e as fêmeas no momento certo da nova eleição do macho alfa e seus apoiadores.
No célebre livro “O Macho Demoníaco” de Richard Wrangham e Dale Peterson (1998), o acesso às fêmeas, entre outros fatores, é decisivo na estrutura social dos grupos de chimpanzés. Entre P. troglodytes há dimorfismo sexual acentuado, machos maiores, violentos e dominadores, as fêmeas estão ligadas à hierarquia, onde o macho alfa e seus apoiadores têm a preferência e até exclusividade de seus ventres.
Já nos P. paniscus as fêmeas estão no centro da hierarquia do grupo (há um baixo dimorfismo sexual), o sexo é distribuído para todos e há paz generalizada. Sem contar que não há sinal visível do cio nas fêmeas. Os machos não sabem quando estão transando com uma fêmea fértil, daí que não possuem a certeza de que são os verdadeiros pais dos filhotes do grupo. Como as fêmeas transam com todos os machos, eles assumem a paternidade coletivamente.
Wrangham e Peterson (1998) descrevem que somos muito mais semelhantes aos P. troglodytes do que aos P. paniscus, em relação à agressividade, organização social e tratamento das fêmeas.
A agressividade é inerente ao sexo masculino, mesmo que uma mulher possa matar, em média são os homens os autores das guerras e crimes mais hediondos.
Um homem sem uma mulher é revoltado e agressivo. Aí voltamos para o centro deste post, elas escolhem seus parceiros. Como você leu no post anterior, um homem produz em média 200 milhões de espermatozóides por dia. Se a regra simples fosse um espermatozóide para cada óvulo a ser fertilizado... não é preciso muitos homens para manter a espécie humana.
Os machos eleitos podem associar beleza masculina, status e poder. São aqueles homens considerados “irresistíveis” pelas mulheres. Entretanto, esse conjunto de fatores não necessariamente precisa estar presente em um único homem para que ele seja escolhido por uma mulher.
As pesquisas mostram que o maior “charme” masculino está status e poder. Estamos habituados em ver nos noticiários à luta das amantes de famosos pelo reconhecimento de seus filhos. Só para citar alguns casos de celebridades masculinas com filhos fora de seus casamentos: Pelé, Roberto Carlos, Fernando Henrique Cardoso, Fidel Castro entre tantos e tantos outros.
Através desses exemplos fiz questão de citar homens normais, sem a tal beleza dos modelos masculinos. Os homens citados são diferentes em cores de pele, etnias e grupos sociais distintos. Embora todos sejam famosos e possuam sua importância relativa para seus admiradores.
A face mais negra para nós homens em relação à seleção feminina é que o fator biológico da atratividade pode ser posto em ação algumas vezes. Por exemplo, uma mulher linda pode selecionar um homem por seu status e posses, mas, sentir atração por outro mais belo e jovial. Robin Baker apresenta esse poder feminino no clássico livro Guerra de Esperma (1997).
Vimos no post anterior que homens podem ser enganados, não temos a mesma capacidade visual e cerebral para detectar mentiras como as mulheres. Estas, semelhantes às fêmeas de P. paniscus, não possuem sinais facilmente detectáveis pelos homens de seu período fértil. Além da guerra de espermatozóides que evidencia nossa natureza uma mistura de poligamia e poliandria, Baker (1997) descreveu que as traições femininas estão correlacionadas com os períodos férteis.
Uma mulher pode ter o melhor marido, a melhor casa, o melhor carro. Algumas vezes, não possuem a melhor genética para seus filhos. Se devidamente seguras, elas podem buscar isso fora e trazer para seu ninho. Estima-se que no mínimo 10% dos filhos gerados são criados por homens que não são os pais verdadeiros. Todavia, esse número é baseado apenas em pesquisas feitas na Inglaterra, ele pode ser muito maior se analisado globalmente.
As pesquisas também mostram que na maioria das traições assumidas pelas mulheres, mais de 50% declararam que fizeram em vingança da traição de seus cônjuges, um toma lá da cá.
O problema da traição é que os homens muitas vezes detêm o poder econômico e, claro, são em média muito mais fortes e agressivos que as mulheres. Espancamentos e mortes das mulheres estão presentes em todo o mundo.
Esse não é apenas o único fator da violência contra as mulheres, mas faz parte dela. No Brasil finalmente foi reconhecida toda a fragilidade e desamparo feminino em um mundo de regras feitas pelos homens. Agora há a Lei Maria da Penha para punir e corrigir os esposos e amantes malfeitores.
As mulheres fazem as escolhas, foram dotadas pela seleção natural com todos os atributos para isso. É um caso de acertar, ter filhos saudáveis e recursos disponíveis, ou errar e enfrentar muitas dificuldades quando se está só, com pouco ou nenhum recurso.
Ser selecionado por uma mulher sempre atrairá a atenção das outras. Por isso, os bons maridos são bons partidos. Eles demonstram serem capazes de montar, manter família e possuírem recursos. As esposas gostam do desejo das outras por seus maridos, ao mesmo tempo em que combatem o assédio a eles pelas fêmeas mais jovens.
Nem todo homem possui esse privilégio... Lembro de quando era adolescente e fiquei enamorado pela menina mais linda do colégio. Já ela era apaixonada pelo colega mais velho e que ia para escola com um fusca. Nós homens aprendemos desde cedo que alguns são os populares, os “dotadões” e outros ficam lá, nos corredores morrendo de raiva deles.
Elas sabem o que estão fazendo, aos que comungam da raiva contra esses eleitos, nos resta cantar com os Ratos de Porão a música “O Dotadão Merece Morrer”:
O dotadão arrastou todas as garotas para a casa dele O dotadão arrastou todas as garotas para fora do bar Ei rapazes esse cara deve morrer... deve morrer! deve morrer! deve morrer! O dotadão arrastou todas as garotas para o carro dele O dotadão arrastou todas as garotas para fora do bar Ei rapazes esse cara deve morrer... deve morrer! deve morrer! deve morrer! Todo mundo enlouquece sem mulher (2x) O dotadão arrastou todas as garotas para a praia dele O dotadão arrastou todas as garotas para fora do bar Ei rapazes esse cara deve morrer...deve morrer! deve morrer! deve morrer! Todo mundo enlouquece sem mulher (2x) O dotadão arrastou todas as garotas para a casa dele O dotadão arrastou todas as garotas para fora do bar Ei rapazes esse cara deve morrer!
O dotadão pode até levar todas as mulheres para a casa dele, mas foi antes de tudo selecionado por elas!
Pernalonga está sendo caçado pelo seu arquirrival Hortelino, em uma estratégia estranha, ele resolve se vestir de mulher. Ao vê-lo o caçador muda completamente seu comportamento, ficando bobo e disposto a fazer tudo que o Pernalonga travestido pedir. Até o mais agressivo personagem dos Looney Tunes, Taz, o diabo-da-Tazmânia, já teve que enfrentar a força mais potente do Pernalonga: "seu feitiço de mulher".
Se um homem travestido de mulher tem a capacidade de fazer seu inimigo um "babão" aos seus pés, imagine uma mulher de verdade? Vejam os desenhos onde Brutus e Popeye disputam Olívia Palito e ela nem é a mais bela das mulheres!
Cenas comuns em desenhos animados que refletem da Bíblia a nossa história: Adão segue o que Eva pede, Herodes corta a cabeça de João Batista por Salomé, Paris e Menelau desencadeiam a Guerra de Tróia por Helena, o rei Henrique VIII rompe com a igreja católica e divide seu país em dois (em termos de religião) por Ana Bolena, etc., etc.
Poder feminino, meus caros!!! Nós homens não resistimos, por elas fazemos tudo.
Vamos primeiro recordar alguns fatos biológicos:
(1) As fêmeas são a fertilidade e continuidade genética na natureza e não necessariamente precisam de um macho para gerar filhotes. Várias espécies de animais possuem população apenas de fêmeas, porque estas conseguem que seus óvulos passem a ser ovos sem fertilização, em um fenômeno chamado de partenogênese (leia mais em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Partenog%C3%A9nese ).
(2) Mesmo que a maioria dos animais não se reproduza por partenogênese, nos vertebrados, em vias de regra, são as fêmeas que possuem o maior investimento energético para a produção e cuidados dos filhotes. Por ter muito a perder em uma escolha errada (mal formações embrionárias, genes deletérios, etc.) isso se traduz assim: elas escolhem os pais, os melhores.
(3) Todos já leram, assistiram algo na TV, ou já ouviram falar: mulheres produzem um óvulo por mês, homens 200 milhões de espermatozóides por dia. Elas possuem em média apenas 400.000 óvulos e perdem a fertilidade por volta dos 45 anos. Eles podem produzir bilhões e bilhões de espermatozóides por ano até o final de suas vidas.
(4) As mulheres precisam ter um mecanismo genético para o cuidado de seus filhotes. Vemos isso na anatomia e fisiologia de seus corpos, em palavras mais diretas: está na carne delas! Elas possuem comparativamente uma pele mais fina e com mais receptores sensitivos que os homens. Mais ainda, os hormônios estrogênio, progesterona, prolactina e, sobretudo, a ocitocina deixam as mulheres mais sensíveis, meigas, amáveis, belas e atraentes.
Está mais do que estabelecido, mulheres e homens são diferentes em anatomia, fisiologia e comportamento reprodutivo.
Lembro ao leitor que diferenças não querem dizer desigualdade sexual. Levamos décadas de estudos para saber disso, a discriminação social e religiosa das mulheres tem outra origem diferente de sua biologia (abordarei isso no último post desta trilogia).
Continuemos com os fatos biológicos:
(5) Quando comparadas com os homens as mulheres possuem diferenças anatômicas e fisiológicas no cérebro que são importantes para a manifestação do poder feminino: (a) um corpo caloso com mais fibras nervosas e (b) um maior tronco cerebral (principalmente a parte da ponte, ou protuberância anelar).
Isso confere a elas a capacidade de utilização dos dois hemisférios cerebrais simultaneamente. Já a ponte é um caminho neural para nervos oculares, faciais e auditivos. O resultado disso, mulheres controlam mais a linguagem falada e corporal, têm uma visão global em detalhes dos ambientes e reconhecem expressões emocionais das outras pessoas de forma precisa.
Todos nós sabemos como é difícil mentir para uma mulher olhando nos seus olhos. Cada movimento dos nossos músculos faciais, gestos do corpo e até a dilatação de nossas pupilas são prontamente analisados e detectados por elas.
Note como a seleção natural dotou a maioria das fêmeas nos vertebrados para a seleção de seus parceiros e o convívio de amor com seus filhotes. São fatos arrebatadores!
Sem contar ainda, ou melhor usando a língua comum "para lascar tudo de vez" em relação a nós homens, elas vivem em média muito mais do que nós.
Continuem seguindo essa regra e leiam tudo ao inverso para homens, nós não somos seletistas, não somos emocionais, tão pouco sabemos distinguir uma mentira de uma verdade quando ditas com convicção... e olhando em nossos olhos. Nós homens não conseguimos evitar ser enganados, como diz o mote popular "se és corno, és o último a saber".
Poder feminino! Terror masculino!
Dá para compreender agora porque Hortelino foi enganado pelo Pernalonga travestido de mulher, não é?
Quando esse disfarce é convincente na vida real temos histórias como a que vimos em abril de 2008, onde o jogador Ronaldinho declarou em rede nacional que havia sido enganado por homens travestidos de mulher. Ele disse querer uma noite com prostitutas, mas levou travestis para o motel. Claro, dizem as más línguas que não foi assim, mas vale o exemplo do Hortelino da vida real. Até que eles realmente se parecem física e em comportamento: Ronaldinho e Hortelino, tudo haver!
Fazemos tudo por elas, porque sabemos do poder em seus ventres. Se elas são muito belas (também abordarei beleza no próximo post), fazemos guerra contra Tróia! Se não tão belas, nossa alcova está sempre à disposição! Se não houvesse o freio da seleção feminina estaríamos talvez com, no mínimo, o dobro da população humana atual.
O poder masculino sempre é expresso em violência e agressividade, nossos corpos e fisiologia hormonal estão voltados para a competição e busca de status... sempre! Por isso, se queremos vislumbrar arquétipos de paz, harmonia e amor, sempre nos referimos às mulheres.
Gentis e belas mulheres, arquétipos femininos de poder! Entre esses arquétipos destaco os que simbolizam a justiça e a liberdade. Sem contar ainda a ligação maternal, do qual deriva os arquétipos da mãe natureza, pátria mãe, mãe de deus, mãe terra... como já foi abordado neste Blog no post Amor de Primata .
Em nosso íntimo, conhecemos o poder que elas exercem sobre nós homens. Reagimos como chimpanzés (Pan troglodytes) a isso, fazemos coalizões de machos para comandar política e armamentistamente os grupos que vivemos, espancamos e humilhamos nossas fêmeas.
Claro, nós não somos descendentes diretos de P. troglodytes, há ainda os P. paniscus, onde as fêmeas são o centro dos grupos. Nesse outro exemplo, a violência é bem menor e o papel das fêmeas é decisivo.
Para Frans de Waal, nossos ancestrais eram uma mistura de P. troglodytes e P. paniscus. Entre um e outro, estamos nós e todo o poder das mulheres.
Eu estou no meio do semestre e as obrigações como professor começam a tomar meu tempo pra valer. Além das aulas e orientações na graduação e mestrado, vem elaboração de provas, correções, avaliação de reposição, entre outras atividades.
Desde o semestre passado, ao invés de passar seminários sobre evolução e comportamento humano, assumi exclusivamente esse assunto como parte integrante da disciplina. Agora, ao invés de trabalhos, haverá provas sobre esses temas.
Por estar preparando as aulas, é exatamente aqui que decidi esboçar três textos completos para sintetizar o poder feminino, a seleção sexual e a perplexidade dos machos perante a sua efemeridade. Eis a trilogia das mulheres.
É um assunto instigante, faz parte das minhas curiosidades e percepções de adolescente. Coisas que eu perguntei a mim mesmo em um "por que o mundo é assim?" Isso também se referia as meninas, as quais tanto queria para mim, mas nem todas corresponderam ao meu desejo.
A resposta não era tão simples, envolve pesquisas sobre beleza, feiúra, personalidade, status e poder... Tudo para explicar para nós homens por que o mundo feminino é assim.
Nós temos comportamentos definidos por uma base genética e outra sócio-cultural. Dizem ser 50% de um, 50% de outro... mas a medida certa de distribuição disso nunca foi comprovada. Claro, não somos robôs genéticos, ou culturais. Não existe tábula rasa, ou o bom selvagem de Rousseau, mas há uma clara lógica comportamental feminina que nós homens sabemos muito bem, embora tenhamos tentado esconder isso de nós mesmos por séculos.
Para além das bases genéticas de nossos ancestrais que tinham um núcleo social poligâmico, os homens sempre tiveram medo do poder feminino. Cliterotomias, cintos de castidade, apedrejamento em praça pública e burcas islâmicas... Os homens usam a linguagem da violência para expressar sua fragilidade, sua tolice porque foram "enganados"... porque elas são tão inteligentes, ou mais ainda do que eles... porque elas ditam as regras... porque elas tem o poder da seleção em suas mãos, nos ovários e nos úteros. Tudo do estro muito bem escondido de nós.
Tenho 37 anos de idade, não sou o mais sábio entre os homens, nem tão pouco sou, ou fui o mais desejado. Reconheço-me um macho médio e deveras ordinário. Estranha é a referência que usarei agora para finalizar esta apresentação. Sobre os assuntos que irei postar nos próximos três textos, a música "Mulheres" de Toninho Geraes e conhecida nacionalmente através da interpretação de Martinho da Vila, é o que mais simboliza o significado de ser um homem:
Bem vindo à Trilogia das Mulheres!
Aos homens, cuidado com os próximos textos, podem causar depressão. Às mulheres, deixo minha admiração, amor e lágrimas.
Iniciei meu mestrado em 1997. O projeto no qual eu trabalhava minha dissertação era sobre a evolução dos animais metaméricos. Eu pesquisava com literatura científica, analisava as descrições de todas as espécies alvo de meu projeto (poliquetos marinhos), montava matrizes pictóricas, construía hipóteses de homologias primárias, codificava tudo, construía uma matriz de dados com o programa TreeGardener(*) e realizava análise filogenética com o programa Hennig86(**).
Meu orientador fazia o mesmo à exceção do uso dos programas para análise filogenética, isso, na época, era coisa só minha no Laboratório de Filogenia dos Metazoa da UFPB. Tanto Martin, quanto todos os seus orientandos eram reconhecidos como biólogos teóricos. Nós construíamos novas hipóteses evolutivas para resolver problemas presentes na evolução dos animais.
A disciplina Zoologia de Campo foi um dos eventos mais divertidos e encantadores de minha formação. Todos os professores do programa de pós-graduação ministravam sua parte nela. Levou quase um ano para fechar, começamos coletando animais marinhos e depois fomos para a Reserva do Brejo dos Cavalos, Caruaru – PE. Por três dias ficamos lá aprendendo técnicas de coleta de peixes de água doce, insetos (diurnos e noturnos), aves, morcegos, pequenos mamíferos, répteis e anfíbios.
Era um final de tarde e nós mestrandos (eu, Marcos, Élvio, Rocha e Gildo), após as atividades de campo, fomos tomar banho na pequena represa do rio. Os professores Alfredo Langguth e Ricardo Rosa eram os responsáveis pelas aulas daquele dia.
Entendam a situação: eu teórico em uma disciplina de campo. Pegaram a idéia? Biologia teórica vs. biologia de campo... Sinal de conflito iminente.
Conversa vai, conversa vem, então Langguth virou para mim e perguntou:
-"Olha que coisa linda essa floresta, você não está vendo o quanto tem a fazer no campo? Você não sente falta disso em seu trabalho? O que você pode dizer sobre tudo isso a sua volta se nunca estivesse aqui?"
Eu respondi prontamente:
-"O que você vê foi teorizado, as coisas vivas descritas e por serem ainda estudadas só fazem sentido se alguém propor hipóteses sobre elas. Para mim tudo aqui pode ser representado com cladogramas, eles sim são a forma verdadeira de ver. Tudo aqui não passa de cladogramas para mim."
Na época a avaliação das disciplinas era expressa por conceitos de A até C.
Todos tiraram A... menos eu, porque fiquei com um B.
Reclamei do conceito B com o coordenador do programa, não achei justo. Entretanto, hoje concordo com a avaliação de meu desempenho e entendo o que Langguth estava tentando me ensinar.
Claro, teoria e prática andam juntas, são complementares e necessitam uma da outra. Todavia, no dia a dia dos laboratórios isso não é bem assim. Há físicos teóricos e matemáticos aplicados, cientistas e engenheiros, ecólogos teóricos e zootecnistas, etc. Profissões com ênfase ou em teoria, ou em aplicabilidade.
Eu me tornei exceção! Em meus trabalhos sobre evolução eu sou um teórico, nos trabalhos sobre a sistemática biológica e ecologia de pentastomídeos e onicóforos eu sou um biólogo de campo.
Já escrevi três posts sobre os trabalhos científicos que desenvolvo: Quando eramos vermes
A parte teórica me trouxe alegrias, porque além de serem meus artigos de maior repercussão, em termos de citações, são meus esforços mais ambiciosos até agora.
A parte de campo é muito importante para mim, pois me levou ao encontro e compreensão da natureza em lócus. Tenho visto toda a glória do mundo em locais belíssimos como a Chapada do Araripe, a Mata Atlântica e a Caatinga.
Hoje aos 37 anos de idade me sinto feliz por tudo isso que fiz. Agora no caminho para meus 40 anos espero me dedicar completamente à ciência, seja ela teórica, ou aplicada.
Tirei um merecido “conceito B” na disciplina de Zoologia de Campo, mas aprendi com o prof. Langguth como alcançar meu “conceito A”, 11 anos depois!!!
Para encerrar, permitam-me citar uma passagem da música “Dias de Luta” da banda Ira:
Só depois de muito tempo Fui entender aquele homem Eu queria ouvir muito Mas ele me disse pouco... Dito e feito!!!
Teoria e prática, dois lados da mesma moeda.
(*) Hoje uso o MacClade para construir minhas matrizes.
(**) O programa que uso hoje para análise filogenética é o PAUP.
Concluiu estágio pós-doutoral (2006) sobre ecologia de endoparasitas pulmonares de vertebrados pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), doutorado (2003), mestrado (1999) e bacharelado (1996) em ciências biológicas (zoologia) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Atualmente é Professor Associado da Universidade Regional do Cariri - URCA, desenvolve pesquisas com parasitologia de animais silvestres e sobre etnozoologia dos hospedeiros estudados (anfíbios e répteis).
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